Uma depressão tropical que se intensifica rapidamente sobre o Mar da China Meridional está prestes a se tornar a primeira tempestade nomeada da temporada de 2026. Com cerca de 70% de probabilidade de entrar no Golfo de Tonkin, o sistema ameaça atingir diretamente a costa nordeste do norte do Vietnã em 4 de julho. Para os residentes na região e para a navegação marítima, isso significa ventos fortes, chuvas torrenciais e ondas perigosas nas próximas 48 horas.
O cenário é tenso. Centros meteorológicos do Vietnã, da China e de Hong Kong estão monitorando de perto cada movimento do ciclone. A expectativa é que ele se fortaleça até a categoria de tufão antes de fazer sua primeira aterrissagem (landfall) no sul da China, possivelmente na ilha de Hainan, antes de seguir para o Golfo de Beibu e, finalmente, impactar o Vietnã. É uma sequência de eventos que já vimos antes, mas a velocidade da intensificação desta vez preocupa os especialistas.
A trajetória prevista: de depressão a tufão
Vamos aos números, pois eles contam a história. Em 1º de julho de 2026, às 13h, o centro da depressão estava próximo à latitude 14,6 graus norte e longitude 117,4 graus leste. Os ventos sustentados máximos eram de Nível 6 na escala vietnamita — ou seja, entre 39 e 49 km/h, com rajadas atingindo o Nível 8. O sistema movia-se para oeste-noroeste a uma velocidade moderada de 15 a 20 km/h.
Em menos de 24 horas, a situação mudou significativamente. Às 7h de 2 de julho, o centro havia migrado para 17,1 graus norte e 113,7 graus leste, posicionando-se a cerca de 240 quilômetros a leste-nordeste das ilhas Hoang Sa (Ilhas Paracel). A previsão é clara: o sistema continuará ganhando força enquanto se desloca.
Segundo Mai Van Khiem, Diretor-Geral do Centro Nacional de Previsão Hidrometeorológica do Vietnã, a depressão deve receber oficialmente a designação de "Tempestade Nº 1" por volta do meio-dia de 2 de julho. Nesse ponto, espera-se que atinja o Nível 8 de intensidade, com rajadas de vento chegando ao Nível 10. É um salto considerável em poucos dias.
Alertas em Hong Kong e China continental
Não é apenas o Vietnã quem está de olho. Em Hong Kong, o Observatório de Hong Kong (HKO) não economizou nos alertas. Na quinta-feira, 2 de julho, às 7h40, foi emitido o "Standby Signal No. 1", marcando o primeiro sinal de tufão do ano para a cidade. Isso indica que um ciclone tropical entrou dentro de um raio de 800 quilômetros do território.
O HKO foi direto em seu comunicado: "A área de baixa pressão sobre as partes central e meridional do Mar da China Meridional intensificou-se em uma depressão tropical. Espera-se que entre dentro de 800 quilômetros de Hong Kong ainda hoje". A previsão para a sexta-feira inclui ventos mais fortes, tempo instável, ondas longas (swells) e pancadas de chuva com rajadas. Há inclusive a possibilidade de elevar o alerta para o Sinal No. 3, o que implicaria medidas de precaução mais rigorosas para o transporte público e marítimo.
No continente chinês, o Centro Meteorológico Nacional (NMC) projeta dois landfalls. Primeiro, o sistema cruzaria a ilha de Hainan. Depois, entraria no Golfo de Beibu antes de tocar terra novamente na costa da região autônoma Zhuang de Guangxi, provavelmente como uma tempestade tropical enfraquecida, mas ainda capaz de causar danos com chuva torrencial.
Impacto no Golfo de Tonkin e no Vietnã
O foco principal, contudo, permanece no norte do Vietnã. As projeções indicam que, por volta das 7h de 4 de julho, o centro da tempestade estará no setor norte do Golfo de Tonkin. Aí, os ventos sustentados devem ser de Força 8, com rajadas de Força 10. Isso não é brincadeira: condições capazes de provocar agitação marítima severa e riscos imediatos à navegação.
As áreas costeiras da região nordeste do Vietnã serão as mais afetadas. Ondas de 2 a 3 metros são esperadas nas águas abertas, aumentando para 3 a 4 metros nas proximidades do centro da tempestade. Para pescadores e comunidades litorâneas, a mensagem é clara: evitem o mar. O Centro Nacional de Previsão Hidrometeorológica alertou especificamente sobre a área das ilhas Hoang Sa, onde os ventos devem fortalecer de Nível 6 para Nível 7, com rajadas de Nível 9-10.
Contexto histórico e comparações
Para entender a gravidade, vale olhar para o passado. Em 2019, uma perturbação semelhante em 1º de julho desenvolveu-se rapidamente, fazendo landfall em Hainan e depois entrando no Golfo de Beibu com intensidade crescente, antes de atingir o norte do Vietnã. A semelhança na trajetória é notável.
Lembramos também do tufão Wutip, que passou por Hainan e recuperou força ao regressar ao Golfo de Tonkin. E do tufão Chanchu, registrado pelo Observatório de Hong Kong como o mais intenso do mês de maio no Mar da China Meridional em sua época. Esses exemplos mostram que esta bacia oceânica pode gerar sistemas poderosos e imprevisíveis, especialmente quando há interação com massas de terra quentes como Hainan e a península de Leizhou.
O que esperar nos próximos dias
Os próximos 48 a 72 horas serão cruciais. Se as previsões atuais se confirmarem, a Tempestade Nº 1 será o primeiro tufão a fazer landfall na China em 2026. O enfraquecimento gradual após a passagem por Guangxi é esperado, mas o resíduo de umidade pode continuar causando chuvas fortes no norte do Vietnã mesmo após a saída do centro da tempestade.
As autoridades locais devem estar preparando planos de evacuação preventiva para áreas de baixo relevo e costeiras. A incerteza meteorológica sempre existe, mas a convergência dos modelos do Vietnã, China e Hong Kong dá confiança de que o impacto será significativo. Fique atento aos boletins oficiais e evite áreas de risco.
Perguntas Frequentes
Quando a Tempestade Nº 1 deve atingir o Vietnã?
As previsões indicam que o centro da tempestade entrará no setor norte do Golfo de Tonkin por volta das 7h de 4 de julho de 2026. O impacto direto nas costas nordeste do Vietnã é esperado nesse período, com ventos de Força 8 e rajadas de Força 10.
Qual é a probabilidade de a tempestade entrar no Golfo de Tonkin?
Meteorologistas citados pelos meios vietnamitas estimam atualmente cerca de 70% de probabilidade de que a tempestade se mova para o Golfo de Tonkin. Esta alta porcentagem reforça o risco de impacto direto sobre a costa nordeste do país.
Hong Kong está sob alerta de tufão?
Sim. O Observatório de Hong Kong emitiu o "Standby Signal No. 1" em 2 de julho, indicando que o ciclone está dentro de 800 km da cidade. Há possibilidade de elevação para o Sinal No. 3 na sexta-feira, dependendo da evolução da intensidade e proximidade do sistema.
Quais são os impactos esperados na China?
O Centro Meteorológico Nacional da China prevê dois landfalls: primeiro na ilha de Hainan e depois na costa da região autônoma Zhuang de Guangxi. Isso trará chuva torrencial e ventos fortes, sendo este potencialmente o primeiro tufão a tocar terra na China em 2026.
O que significa a escala de ventos utilizada pelo Vietnã?
A escala vietnamita classifica ventos sustentados. O Nível 6 corresponde a 39–49 km/h, enquanto o Nível 8 indica ventos mais fortes, típicos de tempestades tropicais. Rajadas de Nível 10 podem causar danos estruturais menores e dificultar a locomoção, exigindo cautela extrema.
