A Irlanda do Norte surpreendeu o futebol europeu ao derrotar a Eslováquia por 2-0, em casa, na sexta-feira, 10 de outubro de 2025, no Windsor Park, em Belfast. O resultado, inesperado diante da superioridade estatística da equipe eslovaca, acendeu uma luz de esperança no grupo mais disputado das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo 2026Canadá, México e Estados Unidos. Os gols foram marcados por um gol contra do zagueiro Patrik Hrosovský, aos 18 minutos do primeiro tempo, e por Trai Hume, aos 81 minutos, em uma finalização de fora da área que ecoou na torcida local como um grito de libertação.
Um jogo de contradições
A Eslováquia entrou em campo como favorita. Com 62% de posse de bola, 88 passes certos e quatro defesas do goleiro Martin Rodak, parecia dominar o jogo como um relógio suíço. Mas o futebol não se mede só em estatísticas — às vezes, se mede em coragem. A Irish Football Association, fundada em 1880, montou um esquema tático 3-5-2 que parecia feito para frustrar. O meio-campo, com Isaac Price e Ali McCann cortando linhas de passe, transformou o campo em uma armadilha. E quando a Eslováquia avançava, a defesa irlandesa — liderada por Grant Hall e Trai Hume — fechava como uma porta de aço.
Na verdade, o primeiro gol foi um erro de cálculo. Um cruzamento da direita de Shayne Lavery foi mal limpo por Patrik Hrosovský, que tentou afastar com o pé direito... e acabou empurrando a bola para dentro da própria rede. O estádio explodiu. Não foi um gol de arte, mas foi um gol de pressão. E a pressão, nesse jogo, foi toda da Irlanda do Norte.
O gol da virada emocional
Se o primeiro gol foi um susto, o segundo foi um soco no estômago. Aos 81 minutos, Trai Hume, lateral que até então tinha sido mais defensor do que atacante, recebeu passe de Ethan Galbraith na intermediária, deu um passo para dentro, enganou o zagueiro Ivan Mesik com um falso movimento, e disparou com o pé esquerdo. A bola desviou no travessão e entrou no canto superior direito. O goleiro Martin Rodak nem se mexeu. O estádio gritou. Os jogadores correram para o canto. Hume apontou para o céu. Sua mãe, no público, chorava.
Naquele momento, o jogo mudou. A Eslováquia, que vinha controlando o ritmo, pareceu desmontada. O técnico Lubomír Tupta, que entrou no jogo aos 37 minutos do segundo tempo, não conseguiu reorganizar a equipe. O que era uma vantagem tática virou confusão. E quando o apito final soou, o placar de 2-0 não parecia injusto — apenas surpreendente.
Classificação: o empate que não foi empate
Na tabela do Grupo B, a vitória colocou a Irlanda do Norte com 6 pontos, empatada com a Eslováquia — mas com saldo de gols zero. A Eslováquia, apesar da derrota, permaneceu em segundo lugar por ter marcado 10 gols contra 6 da Irlanda do Norte. Mas aqui está o detalhe que importa: pela primeira vez desde 2018, a Irlanda do Norte venceu dois jogos consecutivos nas eliminatórias. E o mais importante: a Alemanha, líder com 12 pontos, ainda não venceu em casa. O sonho de classificação, mesmo que tênue, está vivo.
Quem está no comando?
A Irlanda do Norte, sob o comando técnico de Michael O’Neill, vem construindo um time de identidade. Não tem estrelas, mas tem garra. Não tem posse, mas tem propósito. O técnico, que já levou a equipe à Euro 2016, fez escolhas ousadas: colocou Shea Charles, de apenas 20 anos, como pivô defensivo, e confiou em Ethan Galbraith, um jovem do clube local Crusaders, como o motor do meio-campo. A aposta deu certo. E agora, o desafio é maior: enfrentar a Alemanha, em casa, na próxima quarta-feira, 14 de outubro.
Já a Eslováquia, que vinha invicta desde o início das eliminatórias, parece ter perdido o equilíbrio. A derrota para a Alemanha, por 2-1, foi um golpe, mas a derrota para a Irlanda do Norte foi um sinal de alerta. A falta de eficiência ofensiva — apenas 7 finalizações, 2 no gol — e a incapacidade de transformar posse em gols são problemas que não podem ser ignorados. O técnico František Straka terá que reagir rápido, ou o sonho de ir à Copa do Mundo pode virar pesadelo.
O que vem a seguir?
A próxima rodada é decisiva. A Irlanda do Norte recebe a Alemanha em Belfast — um jogo que pode definir o rumo do grupo. Se vencer, a equipe se coloca como candidata direta à vaga direta. Se perder, ainda pode sonhar, mas terá que torcer por resultados fora de casa. Já a Eslováquia viaja a Luxemburgo, um adversário que não venceu nenhum jogo, mas que pode ser uma armadilha: a pressão de não perder, depois de uma derrota inesperada, é maior que qualquer estatística.
Historicamente, esta foi a terceira confronto entre as duas seleções em eliminatórias. Antes, a Eslováquia venceu ambas — em 2005 e 2013. Mas o futebol muda. E em Belfast, naquela noite de outono, a história escreveu uma nova página.
Frequently Asked Questions
Como a Irlanda do Norte conseguiu vencer com apenas 38% de posse de bola?
A vitória foi baseada em eficiência defensiva e aproveitamento de oportunidades. A equipe usou o contra-ataque com precisão, com passes rápidos entre os meias e os atacantes. Os dois gols surgiram de erros defensivos da Eslováquia, e a marcação individual foi impecável. A Irlanda do Norte fez 11 finalizações — quatro no gol — enquanto a Eslováquia, com mais posse, só teve duas finalizações certas.
Por que o gol contra de Patrik Hrosovský foi tão decisivo?
O gol contra, aos 18 minutos, desequilibrou a psicologia da Eslováquia. A equipe vinha dominando o jogo, mas o erro desencadeou insegurança na defesa. Hrosovský, zagueiro titular, não havia marcado gol contra antes em sua carreira internacional. O gol não foi só um ponto a mais — foi um trauma coletivo que afetou o ritmo da equipe no segundo tempo.
Quem é Trai Hume e por que ele marcou o segundo gol?
Trai Hume, de 23 anos, é lateral direito do clube inglês Sunderland e foi convocado pela primeira vez em 2024. Ele não é um atacante, mas foi posicionado como um meio-campista ofensivo em certos momentos. Seu gol foi um dos mais bonitos do grupo: recebeu na intermediária, enganou o zagueiro com um falso movimento e chutou com o pé esquerdo, mesmo sendo destro. Foi sua primeira marcação pela seleção.
A Irlanda do Norte tem chance real de classificar-se para a Copa do Mundo?
Ainda é possível, mas difícil. Com 6 pontos, precisa vencer a Alemanha em casa e torcer por resultados contrários. Se vencer a Alemanha, e a Eslováquia perder para Luxemburgo, a Irlanda do Norte pode passar em segundo lugar. Mas o mais provável é que ela entre na repescagem, se terminar em terceiro. A vitória em casa é o primeiro passo realista.
Qual é a importância histórica dessa vitória para a Irlanda do Norte?
É a primeira vitória da Irlanda do Norte contra a Eslováquia em jogos oficiais. Antes, duas derrotas em 2005 e 2013. Além disso, é a primeira vitória consecutiva em eliminatórias desde 2010. O último Mundial que a equipe disputou foi em 1986. Este resultado reacendeu o otimismo de uma geração que nunca viu sua seleção jogar uma Copa do Mundo.
O que a derrota significa para a Eslováquia?
A derrota quebrou um ciclo de confiança. A Eslováquia vinha invicta desde o início das eliminatórias, com vitórias sobre Alemanha e Luxemburgo. Agora, perdeu a liderança do grupo e mostrou fragilidade defensiva. A equipe depende demais de seu centroavante, Robert Bozenik, e não tem alternativas criativas. Se não melhorar o ataque, pode terminar em terceiro e perder a chance de classificação direta.

Luana Karen
novembro 20, 2025 AT 15:06Essa vitória me fez lembrar que futebol não é só estatística, é alma. A Irlanda do Norte jogou com o coração, e isso pesa mais que 62% de posse. Quando o Hume chutou, eu senti como se toda uma geração tivesse respirado fundo pela primeira vez em 40 anos.
Isso aqui não é só classificação - é redenção.
Luiz Felipe Alves
novembro 21, 2025 AT 19:47Se a Eslováquia tivesse um atacante que soubesse finalizar, isso aqui seria só mais um jogo de eliminatória. Mas não - eles têm um centroavante que parece que tá com medo de bola. O gol do Hume? Foi um gol de talento puro. O resto foi caos organizado da defesa irlandesa.
Quem disse que futebol moderno é só posse e pressão alta? Aqui, o contragolpe ainda mata.
Ana Carolina Campos Teixeira
novembro 22, 2025 AT 14:49É interessante observar como a cultura do futebol britânico ainda preserva valores de disciplina tática e resiliência psicológica, algo que as seleções latinas, por mais talentosas que sejam, frequentemente negligenciam. A Irlanda do Norte, apesar de sua escala demográfica, demonstra superioridade estrutural em comparação com a Eslováquia, cuja abordagem ainda é excessivamente individualista e pouco sistêmica.
Stephane Paula Sousa
novembro 22, 2025 AT 18:00o gol contra foi tipo o universo dizendo pra eslováquia cala a boca... e o hume? ele nem sabia que era pra chutar mas o pé foi sozinho. o futebol é assim, misterio puro. a gente pensa que controla mas o campo escolhe quem vai brilhar. e hoje foi a irlanda do norte. sem mais.
Edilaine Diniz
novembro 23, 2025 AT 01:17Adorei o jeito que o Michael O’Neill montou o time. Sem estrelas, mas com unidade. Isso me lembra quando o Brasil ganhou em 2002 com um time que ninguém achava que ia dar certo. Acreditar no coletivo é o que faz a diferença. Parabéns à Irlanda do Norte!
Thiago Silva
novembro 23, 2025 AT 15:02Essa vitória foi o maior golpe na cara da elite do futebol europeu. A Eslováquia tinha tudo: posse, passes, jogadores de clube grande... e perdeu pra um time que nem tem estádio de verdade. Isso aqui não é surpresa, é justiça poética. Quem acha que futebol é só dinheiro e marketing pode ir se acostumando com o caos.
Gabriel Matelo
novembro 25, 2025 AT 09:11É importante contextualizar que a Irlanda do Norte, desde a sua fundação em 1880, tem uma tradição de futebol organizado e disciplinado, mesmo sem os recursos de grandes potências. A vitória de hoje reflete não apenas um bom desempenho tático, mas também a eficácia de um modelo de desenvolvimento esportivo baseado em formação local e identidade coletiva. A Eslováquia, por outro lado, sofre com a desconexão entre seus jogadores de clube e a seleção nacional.
Luana da Silva
novembro 26, 2025 AT 10:2762% posse. 0 gols. O futebol moderno é um placebo.
Mailin Evangelista
novembro 28, 2025 AT 02:16Essa vitória foi sorte. O gol contra foi um erro infantil. O segundo gol foi um chute de lateral que deu sorte no travessão. A Eslováquia estava em crise, mas isso não muda o fato de que a Irlanda do Norte é um time de terceira divisão com uniforme de seleção. Não me engane com emoção - isso foi acidente.
Luana Karen
novembro 29, 2025 AT 19:52Se foi acidente, então por que o mesmo acidente não aconteceu com a Alemanha? Por que a Irlanda do Norte venceu dois jogos seguidos? Por que o time inteiro jogou como se soubesse exatamente o que fazer? Não é acidente, é construção.
Se você só vê o que quer ver, nunca vai entender o que realmente aconteceu aqui.
Raissa Souza
dezembro 1, 2025 AT 01:09Ao contrário do que muitos imaginam, a vitória da Irlanda do Norte não representa um triunfo do espírito, mas sim o colapso de um modelo falido. A Eslováquia, ao depender de jogadores de clube de médio porte, demonstra a fragilidade estrutural do futebol europeu periférico. A seleção irlandesa, por sua vez, não possui qualquer tradição de excelência - apenas oportunismo tático e um zagueiro que errou.
Ligia Maxi
dezembro 1, 2025 AT 02:26Eu fiquei tão emocionada que liguei pra minha mãe que é de Belfast e ela tava chorando no telefone, tipo, 'filha, isso aqui é mais que jogo, é identidade'. E eu pensei: será que a gente esquece que futebol é sobre isso? A gente só fala de estatística, de passes, de xG, mas esquece que tem gente que cresceu vendo o Windsor Park cheio, que sonha em ver o time jogar uma Copa... e hoje, mesmo que por um instante, esse sonho voltou.
Se a Eslováquia perdeu, foi porque esqueceu que o futebol é feito de corações, não de planilhas. E o Hume? Ele não é só um lateral, ele é o garoto da vizinhança que foi chamado pra jogar e não se esqueceu de onde veio. Isso é lindo, sério.